Soluções "curiosas"... 02
Contenção de custos
Contaram-me (e por isso isto vale o que vale) que, há uns bons anos atrás, um Vereador da Câmara do Porto mandou fazer um levantamento do funcionamento e níveis de produtividade na autarquia, já que as despesas existentes lhe pareciam desproporcionadas. Era necessário haver uma contenção nos custos e perceber porque é que eles tinham chegado a tais valores.
Esse estudo revelou que um dia tipo da câmara passava-se (mais ou menos) assim: De manhã, a maioria dos técnicos chegavam por volta das 10/10.30 horas. Ligavam a luz e as máquinas, e enquanto se preparavam para começar a trabalhar, entre os "bons dias" e "então que fazes", chegava o intervalo matinal permitido para o cafézinho. Nesta altura, assistia-se a uma dinâmica interna curiosa, à medida que quase todos os funcionários se dirigiam em catadupa ao piso da cafetetaria. Por haver uma só máquina de café, como argumentavam, demoravam uma eternidade porque a fila nunca mais acabava. Quando finalmente lá conseguiam tomar café ou qualquer coisa, voltavam para os seus postos de trabalho. Era a "dinâmica municipal de retorno aos gabinetes", mais lenta e aos soluços enquanto se dispersavam pelo resto da câmara. Chegado ao posto de trabalho, e como restava pouco tempo até ao almoço, uma horita no máximo, nem valia a pena começar a produzir porque, de certeza, que qualquer coisa ia ficar a meio. Mais valia ir almoçar ligeiramente mais cedo. Um bom almoço de preferência para recuperar as energias gastas numa manhã de trabalho. A seguir ao almoço, a tarde começava como a manhã. A maioria dos técnicos, chegavam por volta das 14.30/15 horas, e começavam a produzir qualquer coisa entre os "como foi o teu almoço" e "nem sabes onde fui". Entretanto chegava a hora do lanche e repetia-se a aventura do piso da cafetaria. Só que depois do café da tarde ainda era pior que depois do café da manhã. A câmara era invadida por um chimfrim tal que então é que não se podia trabalhar. Eram os filhos dos funcionários que chegavam depois de terminarem as aulas para irem ter com os pais. É que, mesmo que se conseguisse estar na Câmara com o barulho, não havia disposição para trabalhar porque os filhos precisão de atenção. No entanto, com isto tudo, a câmara não deixava de gastar luz, água, telefones, etc.
Se os resultados foram desanimadores quanto à produtividade, a solução apontada para a desejada contenção era revolucionária, mesmo milagrosa: fechar a câmara metade do dia. Lindo! Afinal é tudo tão simples, não é? Basta que haja imaginação! Como para a produção que havia até metade do dia era suficiente, na outra metade podia-se poupar em despesas. Claro que os funcionários tinham de trabalhar menos, mas nestas coisas há que fazer alguns sacrifícios.
Etiquetas: Soluções "curiosas"


